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Dantas enfrenta Lira na disputa por prefeitos e testa se chegou tarde demais ao jogo

Em Alagoas, o poder não se herda — se disputa palmo a palmo, com mão firme no braço de prefeito e sorriso calibrado para cada palanque. Paulo Dantas sabe disso melhor do que ninguém.

O governador transformou o Palácio em sala de operações. No feriado de segunda-feira, enquanto o país descansava, ele recebia prefeitos e candidatos a deputado, um a um, com a paciência metódica de quem monta um mosaico peça por peça. A missão era delicada: convencê-los a não dar o segundo voto a Arthur Lira, redirecionando o apoio para José Wanderley — fiel escudeiro de Renan Calheiros, incumbido exatamente dessa função na engrenagem do velho senador.

Não é pouca coisa. Lira não é homem que se deixa desalojar por gentileza. Construiu o próprio castelo tijolo por tijolo, soube muito bem o que fazer com o poder que acumulou, e não é de ontem que sabe defender o que conquistou. Tirar prefeito de baixo da asa do alagoano de Murici exige mais do que argumentos — exige o tipo de moeda que só o governador do estado tem para oferecer.

Paulo Dantas tem alcançado algum sucesso, dizem os que acompanham os bastidores. Mas o calendário não é generoso com quem começou a jogar tarde. Quando a colheita é marcada e o adversário já plantou mais cedo, pouco adianta caprichar na semente de última hora. A pergunta que fica suspensa nos corredores do Palácio é se o esforço — real, dedicado, de feriado consumido em conversas — chegou a tempo de alterar o placar ou apenas de torná-lo menos constrangedor.

Entre Dantas e Lira, o que se vê é o duelo de dois poderes que conhecem as mesmas regras e jogam com as mesmas cartas. A diferença, por ora, está em quem as distribuiu primeiro.

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