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Marina JHC aposta no futuro enquanto Renan Calheiros exibe conquistas do passado

Há disputas eleitorais que funcionam como espelhos. Não refletem apenas os candidatos — refletem o estado de espírito de um eleitorado inteiro diante de sua própria história.

É o que Alagoas está prestes a revelar.

De um lado, Marina JHC aparece com uma agenda voltada para frente: o Banco da Mulher Empreendedora, criado em 2023, que já contemplou mais de 5,8 mil mulheres com crédito, capacitação e perspectiva de renda. Em 2026, outras 2 mil foram selecionadas. Não é uma retórica de proteção — é uma aposta na autonomia. A mulher como sujeito da própria trajetória econômica, não como destinatária de benevolência. Do outro lado, Renan Calheiros revisita o arquivo. A PEC das Domésticas, aprovada há mais de uma década, em 2013, volta ao palanque como peça central do argumento de reeleição. A conquista, ninguém nega, foi real. Mas um feito de 2013 carregado como bandeira em 2026 começa a parecer menos patrimônio e mais peso.

Há uma ironia silenciosa nesse confronto que merece ser dita com clareza: uma mulher que jamais ocupou um mandato eletivo chega à disputa falando no que pretende construir, enquanto um dos políticos mais experientes do país se apoia, cada vez mais, naquilo que já edificou. O passado como substituto do projeto. A biografia como plataforma. Tem algo de Penélope nisso — mas às avessas: não é a teia que se desfaz à noite, é o bordado antigo que se exibe de dia como se ainda fosse novidade.

A questão que essa eleição coloca não é simples nem trivial. Longevidade política pode ser sabedoria acumulada ou pode ser inércia disfarçada de estabilidade. Renovação pode ser frescor ou pode ser inexperiência embalada em entusiasmo. O eleitor alagoano terá de decidir — e a escolha dirá muito sobre o que Alagoas entende por futuro.

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