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Renan quer IA na segurança e nas escolas, mas o plano de governo não diz uma palavra sobre funcionalismo

 

A máquina já tem lugar garantido no plano de Renan Filho. O trabalhador alagoano, nenhuma palavra.

Em entrevista à TV Pajuçara neste sábado (19), o candidato ao Governo de Alagoas repetiu a aposta na inteligência artificial. Na segurança, o programa IA Contra o Crime. Na educação, o Programa Educação IA para a rede estadual, previsto no plano de governo de 2027 a 2030.

Vai mexer com a polícia e com as salas de aula de um estado inteiro, e o plano não explica como. Não diz quais ferramentas de IA serão usadas. Não diz para quais idades. Não tem cronograma. E sobre o emprego de policiais, professores e atendentes, não escreve uma linha. Nenhuma. Para quem vive disso, o plano reserva silêncio total.

Na CNH, a exigência de 20 horas de aulas práticas deixou de existir e etapas inteiras foram para o celular. Agora a mesma lógica digital chega à polícia e à escola, sem dizer quem fica e quem sai.

Enquanto isso, o mundo fez o dever de casa. Um levantamento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) de 2026 mostra que 35 dos 36 países pesquisados já usam IA em alguma área do governo. Na maioria, a tecnologia entra para ajudar o servidor, ganhar tempo e cuidar da papelada, e não para tirar a pessoa de cena. A própria OCDE diz que supervisão humana, transparência e responsabilidade precisam continuar no centro do serviço público. Lá fora, a IA ajuda o servidor. Aqui, o plano fala da IA e esquece o servidor.

E as perguntas seguem sem resposta. Se um sistema errar numa decisão da segurança, quem responde? Se uma tecnologia entrar na sala de aula, o que sobra para o professor? Quais funções de policiais, professores e atendentes vão continuar nas mãos de gente?
A pergunta mais importante é a mais simples: se a máquina ocupar o lugar de quem trabalha hoje, quem garante o emprego dessas pessoas?

Renan já mostrou que sabe sair rápido de um cargo. Eleito senador por Alagoas, ficou 1 dia e partiu rumo ao Ministério. Agora pede quatro anos de governo e não diz se o trabalhador alagoano tem lugar neles.

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