Corte vira regra e porteiros da Sesau terão demissões
A situação dos agentes de portaria contratados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) se agravou nesta quinta-feira (22). Horas depois de o T82 revelar que a categoria teve cerca de 40% do salário cortado sem aviso prévio, a supervisão respondeu aos trabalhadores confirmando que o corte é definitivo e informando que haverá demissões.
A mensagem enviada pelo supervisor aos agentes não deixa margem a dúvida. “Esse é o novo salário. Infelizmente não tivemos tempo de informar de forma prévia, iremos entender se não quiser continuar”, diz o texto. Na sequência, o supervisor comunicou que haverá desligamentos na equipe.
A resposta contraria a versão apresentada inicialmente à categoria, de que o desconto teria sido um erro na folha de pagamento. Pela comunicação da própria supervisão, não houve erro: houve decisão, tomada sem consulta, sem negociação e sem que um único trabalhador fosse avisado antes de ver o valor a menos na conta.
Com o corte, os agentes de portaria passaram de cerca de R$ 2.500 para R$ 1.500 mensais. O novo valor fica abaixo do salário mínimo nacional, hoje em R$ 1.621. Na prática, trabalhadores responsáveis pelo controle de acesso em unidades da saúde pública estadual passaram a receber menos que o piso assegurado por lei a qualquer trabalhador do país.
“Quem quiser continuar, o salário será menos de um salário mínimo”, resumiu um dos agentes ouvidos pelo T82, que falou sob condição de anonimato por medo de retaliação. O receio tem motivo recente: o aviso sobre os desligamentos chegou à categoria logo depois de o caso vir a público.
Até o momento, não houve comunicado formal da Sesau aos trabalhadores explicando o critério usado para a redução, nem informação sobre quantos postos de trabalho serão cortados e em quais unidades. Também não foi apresentado cronograma para os desligamentos anunciados pela supervisão, nem esclarecimento sobre o enquadramento da nova remuneração diante do piso nacional.
Os agentes seguem em serviço nas unidades enquanto aguardam posição oficial. Entre eles, a dúvida é se o valor de R$ 1.500 será mantido na próxima folha ou se haverá recomposição até o mínimo legal. A categoria afirma não ter recebido qualquer documento que formalize a mudança, apenas as mensagens trocadas com a supervisão nesta quinta-feira.




