O Sertão tem a sua própria lógica eleitoral — e quem não a conhece por dentro costuma subestimá-la até que os números chegam para fazer a correção. Chegaram.
Em 26 municípios da região, a candidatura de oposição ao governo saltou de 62.502 votos, em 2022, para 94.808 em 2026. Cinquenta e um vírgula sete por cento de crescimento. Não é flutuação estatística nem favor do acaso. É a marca de uma articulação que funcionou onde articulação é coisa rara: no chão sertanejo, nos municípios pequenos onde a política ainda se faz de porta em porta, de face a face, de reputação construída ao longo de anos à frente de uma prefeitura e não de cima de um palanque alugado.
O nome que está no centro dessa aritmética é Tenorinho Malta. Deputado estadual eleito, ex-prefeito de Inhapi, figura com raízes na região — e não raízes decorativas, do tipo que se exibe em discurso, mas raízes que sustentam, que fincam candidatura em município. Inhapi diz tudo: em 2022, a oposição colheu ali 1.463 votos; em 2026, com Tenorinho ao lado de JHC, foram 4.847. Mais que triplicou. Uma cidade que ele governou votou no projeto que ele abraçou. Há quem chame isso de lealdade do eleitorado. É, na verdade, o resultado de uma coisa mais difícil e mais rara: a credibilidade de um gestor que se torna, com o tempo, patrimônio político de um povo.
Mata Grande foi de 1.577 para 5.284. Água Branca, de 1.429 para 4.125. São números que não se fabricam em convenção partidária nem se compram com inserção de rádio. Crescem como o mandacaru — devagar, em terra dura, e quando florescem não pedem licença. O Sertão alagoano entregou à oposição uma geografia eleitoral que em 2022 simplesmente não existia com esta dimensão, e entregou porque havia alguém disposto a construí-la sem pressa e sem atalho.
A lição que fica não é para os sertanejos — eles já sabiam o que faziam. É para quem olha o interior de cima, convencido de que voto periférico se mobiliza com promessa geral e candidato de gravata. O Sertão, como sempre, fez a sua própria conta. E desta vez a conta fechou no azul da oposição.




