Ganhar é a parte fácil. Pelo menos é o que a história costuma ensinar a quem se dispõe a lê-la com honestidade.
Há uma ilusão cara ao nosso imaginário político: a de que a eleição é o destino, quando na verdade não passa da porteira de entrada. Do lado de cá fica a campanha, com seus comícios, seus abraços e suas promessas servidas com generosidade. Do lado de lá começa o território áspero do real — a Assembleia com seus múltiplos centros de gravidade, o orçamento com seus limites teimosos, os grupos de interesse que trocam de bandeira com a mesma naturalidade com que se troca de camisa.
JHC chega ao governo de Alagoas no dia 6 de janeiro carregando o peso e o privilégio de ter sido escolhido pelo povo. É uma distinção que não se compra e não se herda. Mas ninguém, em sã consciência, deve confundir a legitimidade da urna com a governabilidade do dia a dia. São coisas distintas, que habitam planetas diferentes, e o trânsito entre elas exige um calibre político que vai muito além da capacidade de vencer eleições.
Os que hoje questionam se ele conseguirá governar não estão, necessariamente, sendo mal-intencionados. Estão, talvez, fazendo a única pergunta que efetivamente importa a partir de agora. Uma Assembleia plural não é obstáculo para os fracos de espírito apenas: é o teste permanente da habilidade de quem governa em construir pontes sem vender a alma no pedágio. Diálogo não é concessão. Firmeza não é teimosia. Saber distinguir uma coisa da outra é o que separa o estadista do ocupante temporário de cargo.
Alagoas aguarda. E a história, que tem memória longa e pouca paciência com as desculpas, começará a escrever seu veredito já nas primeiras semanas de janeiro.




