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A Justiça devolve o nome, não os anos

No Sertão alagoano, a política ainda se faz à moda antiga: na varanda, na sala de visita, no alpendre onde a porta não se tranca. Foi assim a casa de Luiz Celso Malta Brandão, sempre cheia de agricultor, de trabalhador, de família batendo palma no portão. Dessa casa saiu Celso Luiz Tenório Brandão. Não saiu com manual de marketing debaixo do braço — saiu com a herança mais difícil de administrar, que é a da palavra dada.

Aos 24 anos, em 1988, já era prefeito de Inhapi. Depois vieram três mandatos de deputado estadual, a presidência da Assembleia Legislativa de Alagoas, a disputa pela vice-governadoria em 2006 e, em 2012, a prefeitura de Canapi. Currículo que, nessas paragens, não se compra: se constrói a pé, voto por voto, município por município, apertando mão calejada em dia de feira.

Mas a biografia pública no Brasil raramente se escreve só com os capítulos que o autor escolheu. Vieram as acusações, e com elas aquele tempo suspenso em que o homem é obrigado a viver sob a sombra de um processo — e a sombra, todos sabem, costuma ser maior que o corpo que a projeta. Em abril de 2022, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região o absolveu no processo sobre recursos da educação em Canapi. Em setembro de 2026, o Superior Tribunal de Justiça preservou a absolvição. Está dito, está decidido, está encerrado.

Convém anotar esse ponto, porque anda escasso. A absolvição não repara o que ficou pelo caminho — as manchetes que correram o estado e a reparação que nunca corre com a mesma pressa, o silêncio constrangido dos que atravessam a rua. A Justiça devolve o nome; não devolve os anos. É uma aritmética torta, mas é a que temos.

Enquanto isso, no interior, outra contabilidade seguia correndo em paralelo, sem papel timbrado nem número de autos. Quem conhece a região conta das famílias acolhidas em hora de doença, dos socorros em tempo de aperto, dos jovens sem condições que chegaram à universidade porque alguém pagou a conta e não fez disso comício. Esse tipo de registro não entra em processo e não rende placa de inauguração. Fica guardado onde se guarda o que importa.

A eleição do irmão, Tenorinho Malta, para a Assembleia Legislativa em 2026, dá sequência ao que Luiz Celso começou — sinal de que naquela casa a política continua sendo assunto de família, no bom sentido do termo. Quanto a Celso Luiz, a história não parece pedir ponto final. Pede, no máximo, uma vírgula. Porque o tamanho de um político se afere na urna, é verdade. Mas a estatura de um homem se mede na gratidão que ele deixou pelo caminho — e essa, nenhum tribunal julga.

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