Transição de governo é das poucas cenas da política em que o gesto fala mais alto que o discurso. Não se anuncia programa, não se promete obra, não se corta fita. Apenas se escolhe gente. E a escolha, essa sim, entrega tudo.
JHC indicou Antônio Carvalho, ex-presidente do Iplam, para integrar a equipe de transição do governo. Um nome de planejamento urbano, de mapa aberto sobre a mesa, de quem sabe onde passa a tubulação e onde o lote virou problema. Não é indicação de palanque. É indicação de gaveta — e quem conhece a máquina sabe que gaveta, em transição, vale mais que microfone.
O detalhe que não escapa a ninguém: a transição é o momento em que o governo que chega descobre o tamanho real do governo que sai. Colocar ali alguém que já comandou o planejamento é escolher quem consegue ler o inventário sem precisar de tradutor. Há generosidade nisso e há cálculo. Na política, as duas coisas costumam andar de braço dado.
Resta a leitura inevitável, dessas que se fazem nos corredores antes mesmo de secar a tinta do anúncio: toda indicação para transição é também um aceno sobre o que vem depois dela. Quem entra para arrumar a casa raramente sai pela porta dos fundos.
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**O escolhido** Antônio Carvalho, ex-presidente do Iplam, é o nome indicado por JHC para a equipe de transição. Currículo de planejamento, o que diz bastante sobre a prioridade que se pretende anunciar sem anunciar.
**Leitura de bastidor** Em transição, nome técnico tem função dupla: organiza o diagnóstico e sinaliza o tom. Quem acompanha o jogo já começou a somar dois mais dois.
**Agenda silenciosa** O trabalho de transição é o único do calendário político que rende pouca manchete e muita consequência. Tudo que der errado depois nasce ali.




