Há uma velha lição que a política teima em não aprender: a pressão em excesso quebra o cabo, não o galho que se quer dobrar. Nos bastidores de Alagoas, quem circula pelos corredores do poder começa a sussurrar exatamente isso — que a estratégia de mobilização adotada por lideranças do MDB em torno da pré-candidatura de Renan Filho ao Governo do Estado pode estar produzindo, com requintada ironia, o efeito diametralmente oposto ao desejado. A cena que se desenha no interior alagoano é de resistência surda, aquela que não aparece nos relatórios nem nas reuniões de cúpula, mas que fermenta nas conversas de calçada e nas rodas de líderes locais. Parte do eleitorado, segundo relatam interlocutores do próprio campo aliado, afirma querer renovação no comando do Estado. Palavras que, ditas em voz baixa, soam como trovão para quem tenta organizar fileiras. E enquanto isso, o projeto político encabeçado por JHC, pré-candidato pelo PSDB, avança e divide territórios que antes eram quintais murados. Ora, pois. O que incomoda os estrategistas do MDB não é propriamente o adversário — é o espelho. Porque a principal preocupação que circula internamente não diz respeito apenas à cabeça de chapa, mas aos candidatos a deputado estadual e federal que carregam a legenda. A avaliação é de que o eleitor insatisfeito com a pressão por alinhamento político tende a transferir esse rancor para as urnas, e o parlamentar de boa relação municipalista, que cultivou base por anos a fio, pode ser a vítima colateral de uma estratégia que não lhe pertence. É assim que funciona o jogo quando a articulação perde a medida: os generais erram o cálculo e a infantaria paga a conta. E a disputa pelo apoio dos prefeitos e das lideranças do interior — esse termômetro que a política alagoana conhece de sobra — promete seguir como o principal indicador dos próximos meses. Quem souber ler a temperatura com cuidado saberá, antes dos outros, onde o cabo está prestes a partir.




