O Republicanos virou território disputado. E toda disputa territorial, como ensinaram os clássicos da geopolítica — e também os malandros da política miúda —, revela muito mais sobre quem disputa do que sobre o que está em jogo.
JHC quer a legenda. Arthur Lira também quer a legenda — ou pelo menos quer que ela fique perto dele, num raio de alcance confortável, como quem mantém um aliado valioso sob custódia preventiva. São dois apetites distintos para o mesmo prato. O prefeito de Maceió enxerga no Republicanos uma plataforma para crescer verticalmente no jogo nacional. Lira, o eterno arquiteto das câmaras — com acento e sem acento —, enxerga ali um instrumento de influência no pós-mandato, quando o poder formal some mas o poder real, esse, teima em se reorganizar em novas formas.
Há algo de shakespeariano na cena: dois personagens que até ontem dividiam o mesmo palco alagoano agora medem forças sobre um legado partidário. A lealdade, nesse teatro, tem a duração de um ato. E o intervalo, todos sabem, é a hora em que se renegociam as alianças.
O que está em jogo, convém lembrar, não é apenas uma sigla. O Republicanos detém tempo de televisão, fundo partidário e, sobretudo, aquilo que nenhuma lei eleva ao orçamento mas que move Brasília desde sempre: posição de barganha. Quem controla a legenda segura uma carta importante na mesa do próximo governo. JHC sabe. Lira sabe. E os dirigentes do partido, naturalmente, sabem que os dois sabem.
O desfecho não está escrito. Mas a disputa já diz o que precisa dizer: que Lira não pretende se retirar para o camarote da história, e que JHC cresceu o suficiente para se sentar à mesma mesa. Entre os dois, o Republicanos aguarda — como toda legenda neste país — que alguém decida o seu destino por ela.




