Há frases que valem menos pelo que prometem do que pelo que revelam. “Nenhuma proposta que vocês trouxeram vai para o lixo”, disse o vereador Samyr Malta a respeito do Plano Diretor de Maceió, e o cidadão atento percebe de imediato que a palavra lixo só aparece na boca de quem conhece bem o destino habitual das sugestões populares nas casas legislativas deste país.
Não é maldade do vereador. É sinceridade. O Plano Diretor é daquelas peças que mobilizam audiências, enchem plenários, fazem morador de bairro tirar o dia de trabalho para falar três minutos no microfone — e depois seguem seu curso próprio, conduzidas por mãos que raramente estiveram naquelas cadeiras. Quem promete que nada irá para o lixo está, no fundo, admitindo que o cesto existe, que é fundo e que já recebeu muita coisa.
Maceió, convenhamos, não é uma cidade qualquer para se discutir ordenamento territorial. Em matéria de chão, a capital alagoana aprendeu do jeito mais caro que o subsolo cobra juros. Daí que a palavra do vereador, por mais bem-intencionada, carregue um peso que ele talvez não tenha medido: em cidade que já viu bairro inteiro virar assunto de engenharia, Plano Diretor deixou de ser tema de urbanista para virar questão de sobrevivência.
Fica então o compromisso registrado, com data e testemunhas. Promessa dita em público tem a vantagem de ser cobrável. A desvantagem, para quem a faz, é exatamente a mesma.
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**O compromisso** O vereador Samyr Malta garantiu que nenhuma das propostas apresentadas pela população ao Plano Diretor de Maceió será descartada. A frase foi dita em público e já está anotada no caderninho dos que acompanham a tramitação.
**Teste de fogo** O valor de uma promessa dessas não se mede no dia em que é feita. Mede-se na hora em que uma das propostas populares contrariar interesse de quem tem pressa para construir.
**Aritmética** Não jogar no lixo é uma coisa. Acatar é outra, bem diferente. Entre arquivar com respeito e incorporar ao texto final há uma distância que só o plenário resolve.




